quarta-feira, 15 de maio de 2013

Faltam 2 minutos


O que era pra ser Flor virou Farsa.

 Finalizando o descarregamento e chega uma chuva forte. Zebrou! A chuva acontecendo, parte do grupo no ponto de apoio, outra parte na Praça Nauro Machado, e alguns correndo pelo Centro Histórico buscando uma solução.

A chuva parou.

- Vamos fazer a Farsa (por questões práticas e funcionais em caso de chuva)?
- Sim! Sim! Sim!
- E será que vai dar tempo? Ai meu Deus, corre, pega  cenário da Farsa. Leva pra praça. Guarda o da Flor. Eii, a Flor é pra guardar no teatro. Como? Vamos nos apresentar lá amanhã, por causa da chuva.
- E se não chover?
- Não sei.

Cenário levantado, som ligado, figurino trocado, maquiagem realizada.

- Vem chegando minha gente que hoje com chuva ou sem chuva o espetáculo vai acontecer...

Apresentação da Farsa da Boa Preguiça na Praça Nauro Machado, São Luís - MA
Foto: Bruno Vinelli


Ah, que palco! As pessoas iam chegando, se acomodavam aonde achasse ser melhor, teve até gente que quis ver o tempo todo em pé, e deu certo viu?!

Mas com todo esse ocorrido de pré-apresentação, com todo o calor da Farsa, nessa praça tinha uma família da qual me fisgou. O pai, a mãe e a filha (Júlia). A cada cena, a cada música, essa família me dizia que nosso trabalho está no caminho certo. A mãe com suas sonoras gargalhadas, o pai nas suas risadas silenciosas, e Júlia, ah Júlia, uma criança com todo seu doce e espontaneidade que só elas podem ter. Gargalhadas, espanto, timidez, alegria contagiante e uma sensação que a vida é leve.

Foi um dia lindo! Surpreendente! Veio-me a lembrança do dia em que eu, Rafael Guedes assisti a “Farsa da Boa Preguiça” pela primeira vez, montagem do Ser Tão Teatro em parceria com o Clowns de Shakespeare.  Um dia em que cada cena, cada música me disse que era aquilo que eu queria. Que na vida a gente pode, quando a gente quer e vai a luta.

Obrigado São Luís!
Obrigado Anna Raquel, Isa, Polly, Cidoca, Galego, Thardelly, Zé Hilton, Herlon, Zé Guilherme, Fabiano, Fabrício, Thiago, Bruno, Seu Manoel, Ronaldo e a Chris!!

Viva, viva ao nosso Ser Tão Teatro!!!
Que venha o próximo Roda Ser Tão!

domingo, 12 de maio de 2013

Ponto de vista


Diferente dos outros dias, chegamos em Bacabal – MA sem dia de descanso e fomos direto ao trabalho, pois a cidade que nós havíamos passado (Pedreiras – MA) tomou um dia a mais por conta das chuvas. Sem problemas, o Roda Ser Tão acontece para democratizar o acesso à arte e temos que estar preparados para estes contratempos. É teatro de rua, fazemos da rua um palco, do céu um teto e enquanto estivermos “rodando” lutaremos por isso debaixo de chuva e sol.

Hoje foi dia de “Flor de Macambira” e não estou em cena, mas como membro do grupo, me sinto como se estivesse, afinal, somos várias engrenagens onde cada uma ajuda a outra. Foi dia de levantar cenário, fazer reparos que a chuva deixou do dia anterior, colocar figurino e adereços para secar e de “assistir” a peça por outro ângulo. Pois é, assisto a peça de um ângulo onde o ponto de vista é diferente, apenas ouvindo as vozes dos atores e atento a cada momento. Fico ali atrás do palco juntamente com Zé Hilton (meu orientador) para fazer a contra-regragem.

Flor de Macambira 
Foto: Bruno Vinelli

Por não ser um trabalho o qual a pessoa se expõe como artista, muitos podem até achar estranho o prazer de estar na contra-regragem de uma peça,  mas em Flor de Macambira não é bem assim. Atrás do palco existe uma atuação que, apesar de não ser vista pela plateia, está presente no pulsar artístico. Temos que estar no ritmo do Cavalo Marinho, da encenação, fazer o jogo com os atores para que a peça mantenha o ritmo. É água, perna-de-pau, carroça, água, guarda isso, guarda aquilo, fogo, máscara, toca, pega isso, pega aquilo (...) e se alguma coisa der errado precisamos resolver tudo o mais rápido possível. Depois de tudo só posso afirmar que é um grande prazer poder ajudar para que o espetáculo aconteça.

Pois é, posso não estar em cena, posso não ser visto, e o prazer disso tudo onde está? Está em contribuir artisticamente e principalmente em ser uma engrenagem que faz o Roda Ser Tão!





Herlon Rocha

sexta-feira, 10 de maio de 2013

No passado uma região habitada pela nação pedra verde hoje é a cidade de Pedreiras no Maranhão. Uma cidade situada em uma região central do estado. Já produziu babaçu e banana e hoje sua principal atividade é o comércio.
Na quinta feira dia 9 foi o dia da apresentação da Farsa da Boa Preguiça. Que dizer, tentamos, mas fomos vencidos por um temporal daqueles com raios e trovões que por aqui as portas da Amazônia oferece esse tipo de espetáculo onde a natureza se mostra imponente.
Trabalhar na rua é está sujeito a algumas “surpresas” que podem parar o espetáculo como foi o caso de quinta feira, onde o casamento de chuva com energia elétrica pode causar um acidente ou incidente. Temos que respeitar os limites de segurança nosso e do público e em virtude do exposto tivemos que parar o espetáculo no final do primeiro ato. Talvez isso seja um motivo para retornarmos a Pedreiras que nos recebeu de braços abertos.
Mesmo com dificuldades nos acreditamos em nossa ação social de fazer o teatro na rua em um espaço público tendo como principal objetivo a democratização da Arte.


Zé Guilherme

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Sua Larapia, sua espertinha... - Parte 2 (Final)

É chegada a hora. Estamos ansiosos, a cidade deseja...

Já tínhamos realizado o alongamento individual, estávamos colocando o figurino, para em seguida começar a maquiar. E eis que surge a notícia: "tá chovendo".

Não é que a danadinha resolveu aparecer. Mas dessa vez com o intuito de abençoar. A certeza de que a água caia para limpar as mazelas, para purificar a alma. Mais cedo ouvimos uma cidadã de Pedreiras: "Se toda vez que eles forem se apresentar for chover, quem bom, já sei quem devo chamar".

A chegada do Ser Tão Teatro na cidade era algo além do nosso olhar. Tanta troca, tanta riqueza. A danadinha da chuva passou e a quentura no chão foi brotando.

Apresentação da Flor de Macambira na cidade de Pedreiras - MA
Foto: Bruno Vinelli
Uma noite com tudo que se tem direito: plateia participativa, dinâmica de grupo e o mais importante; a brincadeira foi estabelecida!


Pedreiras? Chuva? Toró? Praça? Catirina? Carinho? Conversas na madrugada? Respeito? Verdade?

Uma cidade, um encontro, uma semente brotada em cada um que se permitiu e se permite aqui em Pedreiras.

Que essa flor seja forte e marcante.
Como uma marca suave, que é constante.
Para mim fica a certeza, dela eu serei.
Nela eu terei a vida que sempre pensei.

Sua Larapia, sua espertinha... - Parte 1


(Terça-feira 07/05/13)

Chuva, sua danadinha! Você pensa que nos enganou?

Cenário levantado e luz pronta. Mateus já encantado por Catirina, que se encontra penteando seu cabelo. A energia era apenas uma: retribuir todo carinho e atenção que recebemos da cidade de Pedreiras - MA.

E eis que surge a chuva!


Foi uma sensação que só sabe quem presenciou. Em plena turnê, onde cada dia tem sido um belo trabalho e  de descoberta de grupo, a danada da chuva só veio para nos deixar "amar".

Bastava olhar para o lado que tinham dois cobrindo as brechas que a lona deixou no cenário, para baixo tinha alguém salvando as máscaras, para frente tinham três carregando o material da peça embaixo de um banner enorme. Isso tudo para dizer que a danada da chuva veio, e veio com muita força.

Mas danadinha, tu só me trouxe uma coisa: orgulho do grupo, orgulho do Ser Tão Teatro!



terça-feira, 7 de maio de 2013

Contratempo

Em virtude da forte chuva que caiu aqui em Pedreiras no dia de hoje, a apresentação da Flor de Macambira foi transferida para amanhã (09/05), às 20 h 30 min, no mesmo local (Praça dos Jardins). 

Agradecemos a compreensão! 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Antes amar



Amar ante a paisagem, o rio e a vida
Vertendo-se em chão, calor e gente
Quem nasce lá devia levar além do sangue       
Também de quebra o codinome amante

Segunda apresentação de Farsa da Boa Preguiça, segundo dia na segunda cidade da turnê: Amarante. Cidade bucólica, parecendo até desabitada nesse domingo escaldante em terras piauienses. A apresentação do dia anterior foi bastante calorosa, tanto pela alta temperatura atmosférica, como também pela receptividade do povo amarantino. 
Mas, como no primeiro dia de apresentação, tive a ligeira impressão de que não teríamos um público muito grande, já que a hora da apresentação ia-se aproximando, mas as pessoas da cidade não... Fora os habituais bêbados, crianças e cachorros – guarda-costas que não vacilam nos momentos de montagem de cenário -, não havia o burburinho de sempre durante a arrumação pra função da noite. Achei estranho, a cidade permanecia impassiva ante a nossa preparação... Mas, assim como no dia anterior, minhas suspeitas estavam erradas. Foi aí que vi a mais genial ferramenta de divulgação entrando em ação: o boca-a-boca! A apresentação de Flor no dia anterior foi certamente contagiante, e isso se alastrou pela cidade como pólvora, ou melhor, como uma corrente elétrica! De repente e rapidamente as pessoas foram-se acomodando na escadaria que logo logo ficou lotada de gente ávida por TEATRO! (Chupa essa, Fantástico!)

Apresentação de Farsa da Boa Preguiça - Amarante/PI Foto: Bruno Vinelli

E se só a escadaria tivesse ficado lotada, estaríamos satisfeitos e honrados, mas a fagulha se tornou um fogaréu! Tinha gente por toda parte, a rua estava tomada, as laterais estavam repletas de pessoas atentas. 


Apresentação de Farsa da Boa Preguiça - Amarante/PI Foto: Bruno Vinelli

Tive que dividir o pequeno espaço atrás da casa de Simão e Nevinha com as crianças e seus pais, que tentavam achar espaço entre os painéis do cenário, no desejo de ver as cenas se desenrolando. O que chamou muito minha atenção foi a quantidade de pessoas idosas assistindo e se divertindo muito! Um senhorzinho que estava na apresentação da Flor e tinha chamado atenção por seu riso solto e gostoso, estava lá novamente e de novo estava se deleitando com o que via! Dona Fátima também esteve nas duas apresentações, inclusive frequentando os bastidores com seus sucos deliciosos e sua história de superação. 


Apresentação de Farsa da Boa Preguiça - Amarante/PI Foto: Bruno Vinelli

Taí, agora entendi do que se trata o tal calor do Piauí! Foi muito amor, Amarante!