domingo, 12 de maio de 2013

Ponto de vista


Diferente dos outros dias, chegamos em Bacabal – MA sem dia de descanso e fomos direto ao trabalho, pois a cidade que nós havíamos passado (Pedreiras – MA) tomou um dia a mais por conta das chuvas. Sem problemas, o Roda Ser Tão acontece para democratizar o acesso à arte e temos que estar preparados para estes contratempos. É teatro de rua, fazemos da rua um palco, do céu um teto e enquanto estivermos “rodando” lutaremos por isso debaixo de chuva e sol.

Hoje foi dia de “Flor de Macambira” e não estou em cena, mas como membro do grupo, me sinto como se estivesse, afinal, somos várias engrenagens onde cada uma ajuda a outra. Foi dia de levantar cenário, fazer reparos que a chuva deixou do dia anterior, colocar figurino e adereços para secar e de “assistir” a peça por outro ângulo. Pois é, assisto a peça de um ângulo onde o ponto de vista é diferente, apenas ouvindo as vozes dos atores e atento a cada momento. Fico ali atrás do palco juntamente com Zé Hilton (meu orientador) para fazer a contra-regragem.

Flor de Macambira 
Foto: Bruno Vinelli

Por não ser um trabalho o qual a pessoa se expõe como artista, muitos podem até achar estranho o prazer de estar na contra-regragem de uma peça,  mas em Flor de Macambira não é bem assim. Atrás do palco existe uma atuação que, apesar de não ser vista pela plateia, está presente no pulsar artístico. Temos que estar no ritmo do Cavalo Marinho, da encenação, fazer o jogo com os atores para que a peça mantenha o ritmo. É água, perna-de-pau, carroça, água, guarda isso, guarda aquilo, fogo, máscara, toca, pega isso, pega aquilo (...) e se alguma coisa der errado precisamos resolver tudo o mais rápido possível. Depois de tudo só posso afirmar que é um grande prazer poder ajudar para que o espetáculo aconteça.

Pois é, posso não estar em cena, posso não ser visto, e o prazer disso tudo onde está? Está em contribuir artisticamente e principalmente em ser uma engrenagem que faz o Roda Ser Tão!





Herlon Rocha

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