Diferente dos outros dias, chegamos em Bacabal – MA sem dia
de descanso e fomos direto ao trabalho, pois a cidade que nós havíamos passado
(Pedreiras – MA) tomou um dia a mais por conta das chuvas. Sem problemas, o
Roda Ser Tão acontece para democratizar o acesso à arte e temos que estar preparados
para estes contratempos. É teatro de rua, fazemos da rua um palco, do céu um
teto e enquanto estivermos “rodando” lutaremos por isso debaixo de chuva e sol.
Hoje foi dia de “Flor de Macambira” e não estou em cena, mas
como membro do grupo, me sinto como se estivesse, afinal, somos várias
engrenagens onde cada uma ajuda a outra. Foi dia de levantar cenário, fazer
reparos que a chuva deixou do dia anterior, colocar figurino e adereços para
secar e de “assistir” a peça por outro ângulo. Pois é, assisto a peça de um
ângulo onde o ponto de vista é diferente, apenas ouvindo as vozes dos atores e
atento a cada momento. Fico ali atrás do palco juntamente com Zé Hilton (meu
orientador) para fazer a contra-regragem.
Flor de Macambira
Foto: Bruno Vinelli
Foto: Bruno Vinelli
Por não ser um trabalho o qual a pessoa se expõe como
artista, muitos podem até achar estranho o prazer de estar na contra-regragem
de uma peça, mas em Flor de Macambira
não é bem assim. Atrás do palco existe uma atuação que, apesar de não ser vista
pela plateia, está presente no pulsar artístico. Temos que estar no ritmo do
Cavalo Marinho, da encenação, fazer o jogo com os atores para que a peça
mantenha o ritmo. É água, perna-de-pau, carroça, água, guarda isso, guarda
aquilo, fogo, máscara, toca, pega isso, pega aquilo (...) e se alguma coisa der
errado precisamos resolver tudo o mais rápido possível. Depois de tudo só posso
afirmar que é um grande prazer poder ajudar para que o espetáculo aconteça.
Pois é, posso não estar em cena, posso não ser visto, e o
prazer disso tudo onde está? Está em contribuir artisticamente e principalmente
em ser uma engrenagem que faz o Roda Ser Tão!
Herlon Rocha

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