Preparação para apresentação da "Farsa da Boa Preguiça": Zé Guilherme se transformando em Aderaldo Catacão, em Teresina, Piauí.
Foto: Bruno Vinelli
Primeiro de maio, dia do trabalhador. Quando a maioria dos trabalhadores está de folga, os trabalhadores da arte, seja de entretenimento, ou não, seguem na contra mão. Trabalhamos nas noites, nos finais de semana, nos feriados e nos horários mais diversos e adversos.
Hoje é um dia importantíssimo, pois iremos encenar a “Farsa da Boa Preguiça”, de Ariano Suassuna, em um projeto de circulação pelo Myriam Muniz, da Funarte... no dia do trabalhador.
De um lado o poeta Joaquim Simão (o vagabundo) e do outro o ricaço Aderaldo Catacão. Aderaldo diz: “Se há um homem no mundo pra eu ter raiva esse é um. Pobre, preguiçoso e orgulhoso. E ele ainda se faz de feliz só pra me fazer raiva!”. Isso é o que Tom Zé chama de "Defeito de Fabricação" que nós, mestiços Brasileiros temos em abundância. Continuando... “Num tá vendo que eu não acredito num negócio desse! Um homem feliz morrendo de fome? Agora, eu não. Eu tenho três carros, vinte casas...” É aquela velha questão do TER no lugar do SER. Para mim esse conflito só irá se resolver quando a maioria das pessoas na face da terra conseguirem equilibrar as necessidades entre o ser e o ter... ambos tão necessários. Outro poeta fala que “letras de macarrão fazem poema concreto”.
Quem gosta de andar de ônibus? Quem não quer se alimentar bem? Ter um lugar com conforto para repousar após um dia de farra ou de trabalho? Ah! se o mundo fosse diferente!... Mas tudo mudou!!! Já temos um negro como presidente dos USA e os militares não estão mais no poder, e se produz tanto no Brasil que estamos erradicando a miséria... Porra nenhuma! Um país rico não é um país sem fome, pelo contrário, um país rico é um país faminto de educação e cultura, que gasta 15% do seu PIB com educação, que gasta 8% com a cultura e muito mais com saúde, com transporte, que não tem impostos sobre alimentação básica e após conseguir isso, aí sim, podemos iniciar o equilíbrio entre o ter e o ser.
Hoje a noite vai ser linda. Estamos cumprindo nosso papel. Beijos e abraços para todos e todas no dia de quem trabalha a dor.
Zé Guilherme

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