domingo, 5 de maio de 2013

Flores de Amarante


Apresentação "Flor de Macambira", na cidade de Amarante.
Foto: Bruno Vinelli

Senhoras e senhores lá vão os andantes,
 Os viajantes “Sertaneiros”,
 De sorriso e peito abertos,
 Com sol ou chuva
 Seguem os amantes,
 Olha aí Piauí, mais uma cidade,
 É a bela e contrastante Amarante!


...E foi assim, feito chuva boa quando se derrama no sertão alegrando o coração do nordestino esperançoso que a Flor de Macambira desabrochou mais uma vez.
Cheiro de terra, vegetação formosa, as serras e suas histórias enigmáticas, algumas casas que lembraram a arquitetura portuguesa...amarante começa a se revelar. Gosto de sol, e respeite, sol dos quentes, viu?! “Tem dia que mulher de chapinha em Amarante sai na rua e pede pra chover”, disse um novo colega da cidade. Corre daqui, ajeita de lá, pronto! “Vai começar, e que nos aguente o público presente!”.
Tantas bocas abertas, inquietas, olhos de encanto e sorrisos, Ah! Os sorrisos infantis, maduros, extravagantes, numa terna mistura de deslumbramento e excitação o povo vai acompanhando, mergulhando, rindo, rindo, e ele, o senhor “risadinha dos dentes sem vergonha” continuava rindo sem pausa, respira, risadinha!.. que nada, só risos e uma linda e sincera frase: “Mas é bonito demais, né moça!” é sim, senhor, respondi e meu olhos sorrindo marejaram, lembrei do meu avô e a asa dolorida da saudade, como diz um poeta da cidade, pousou rapidamente sobre meus olhos.
Ouvindo a gente aprende mais que falando, já diz o ditado, e foi ouvindo aqui e acolá que ela me deixou sentir seu perfume; Nasi Castro, a rara flor de Amarante que floresceu em 1911 e até 2003 dividiu sua vida entre serviços, doações e carinhos. Uma mulher que multiplicava seu tempo em mil ações; era escritora, folclorista, funcionária pública, ativista cultural e pasmem, parteira também! Segundo Igor Prado jornalista da cidade de Teresina e admirador de Dona Nasi ela “Atendia o trabalho de parto de senhoras católicas de sobrenome na cidade, mas especialmente às senhoras pardas, negras, pobres e sem títulos, as senhoras da periferia. Renascia para Dona Nasi, a cada novo amarantino, a convicção de que o dom da vida todos compartilham, e que esse, é o presente suficiente para que sejamos tratados de forma igualitária e humana. Uma mulher apaixonada pelo popular que registrou as raízes da cultura piauiense em versos, rimas, causos, rezas, madingas e uma infinidade de outras manifestações populares”.
Impossível não se emocionar com a história dessa Flor Amarantina que nos deixa um exemplo de fé no trabalho, um desejo inspirador de ajudar sua gente e que timidamente ouso fazer uma analogia poética com nossa flor. Vamos indo pelos cantos desse mundo “véi dermantelado”, traçando nosso caminho e levando um teatro de resistência, esperança e bem querer. Que a memória acerca de uma mulher tão perseverante nos ofereça exemplo e incentivo para reafirmar nosso discurso a cada dia. Longe ou perto de casa que nosso trabalho nasça, renasça e cresça diariamente fortalecido também por belas histórias de força e afeto. 

Evoé companheiros de palco, de estrada, de vida, Evoé!



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