Apresentação "Flor de Macambira", na cidade de Amarante.
Foto: Bruno Vinelli
Senhoras e senhores lá vão os andantes,
Os viajantes “Sertaneiros”,
De sorriso e
peito abertos,
Com sol ou
chuva
Seguem os
amantes,
Olha aí Piauí,
mais uma cidade,
É a bela e
contrastante Amarante!
...E foi assim, feito chuva boa quando se derrama no
sertão alegrando o coração do nordestino esperançoso que a Flor de Macambira
desabrochou mais uma vez.
Cheiro de terra, vegetação formosa, as serras e suas
histórias enigmáticas, algumas casas que lembraram a arquitetura portuguesa...amarante começa a se revelar. Gosto de sol, e respeite, sol dos quentes, viu?! “Tem dia
que mulher de chapinha em Amarante sai na rua e pede pra chover”, disse um novo
colega da cidade. Corre daqui, ajeita de lá, pronto! “Vai começar, e que nos
aguente o público presente!”.
Tantas bocas abertas, inquietas, olhos de encanto e
sorrisos, Ah! Os sorrisos infantis, maduros, extravagantes, numa terna mistura
de deslumbramento e excitação o povo vai acompanhando, mergulhando, rindo,
rindo, e ele, o senhor “risadinha dos dentes sem vergonha” continuava rindo sem
pausa, respira, risadinha!.. que nada, só risos e uma linda e sincera frase: “Mas
é bonito demais, né moça!” é sim, senhor, respondi e meu olhos sorrindo
marejaram, lembrei do meu avô e a asa dolorida da saudade, como diz um poeta
da cidade, pousou rapidamente sobre meus olhos.
Ouvindo a gente aprende mais que falando, já diz o
ditado, e foi ouvindo aqui e acolá que ela me deixou sentir seu perfume; Nasi
Castro, a rara flor de Amarante que floresceu em 1911 e até 2003 dividiu sua vida
entre serviços, doações e carinhos. Uma mulher que multiplicava seu tempo em
mil ações; era escritora, folclorista, funcionária pública, ativista cultural e
pasmem, parteira também! Segundo Igor Prado jornalista da cidade de Teresina e
admirador de Dona Nasi ela “Atendia o
trabalho de parto de senhoras católicas de sobrenome na cidade, mas
especialmente às senhoras pardas, negras, pobres e sem títulos, as senhoras da
periferia. Renascia para Dona Nasi, a cada novo amarantino, a convicção de que
o dom da vida todos compartilham, e que esse, é o presente suficiente para que
sejamos tratados de forma igualitária e humana. Uma mulher apaixonada pelo
popular que registrou as raízes da cultura piauiense em versos, rimas, causos,
rezas, madingas e uma infinidade de outras manifestações populares”.
Impossível não se emocionar com a história dessa Flor
Amarantina que nos deixa um exemplo de fé no trabalho, um desejo inspirador de
ajudar sua gente e que timidamente ouso fazer uma analogia poética com nossa
flor. Vamos indo pelos cantos desse mundo “véi dermantelado”, traçando nosso
caminho e levando um teatro de resistência, esperança e bem querer. Que a
memória acerca de uma mulher tão perseverante nos ofereça exemplo e incentivo
para reafirmar nosso discurso a cada dia. Longe ou perto de casa que nosso
trabalho nasça, renasça e cresça diariamente fortalecido também por belas
histórias de força e afeto.
Evoé companheiros de palco, de estrada, de vida, Evoé!
Evoé companheiros de palco, de estrada, de vida, Evoé!

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